Da exclusão à promoção: as quatro fases das relações raciais no Direito brasileiro e a persistência do racismo sistêmico na Educação
DOI :
https://doi.org/10.28998/2175-6600.2025v17n39pe20325Mots-clés :
Racismo educacional, Políticas educacionais, CurrículoRésumé
O artigo analisa como o ordenamento jurídico brasileiro configurou diferentes regimes de reconhecimento e negação dos sujeitos negros na educação, da Constituição de 1824 às ações afirmativas do século XXI. Mediante análise documental de legislações, diretrizes e dados educacionais, identificam-se quatro fases: exclusão legal; igualdade formal com branqueamento; reconhecimento jurídico do racismo; e institucionalização de políticas antirracistas. Apesar dos avanços legais, práticas que mantêm a branquitude como norma curricular seguem limitando a igualdade racial. Conclui-se que sua efetividade depende da disputa política pelo currículo e do reconhecimento da população negra como sujeito de conhecimento.
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