Geninhas em povoada por uma práxis antirracista na educação infantil

Autori

DOI:

https://doi.org/10.28998/2175-6600.2025v17n39pe19993

Parole chiave:

Educação das relações étnico-raciais, Práxis antirracista, Educação Infantil

Abstract

As ações antirracistas das Geninhas são ancestrais de um continuum (Nascimento, 2018) histórico-cultural. De tempos longínquos, Jesuína Adelaide dos Santos (1920-2005), a nossa Dona Geninha, mulher negra catarinense, movimentou uma povoada e nos ensinou que é preciso transgredir! Como Griô e guardiã de um processo educativo-cultural, no tempo presente, os ensinamentos de dona Geninha constituem-se na materialidade objetiva de um coletivo de extensão, pesquisa e ensino. Dentre a pluralidade e entrecruzamento de ações das Geninhas, a extensionalidade de práticas pedagógicas antirracistas tem movimentado a atividade denominada “Espaço ERER”. A intencionalidade desta ação é adentrar os espaços educativos públicos para a promoção da Educação das Relações Étnico-Raciais em cumprimento a legislação 10.639/2003. Trata-se de uma ação cujo foco está relacionado ao trabalho de uma pedagogia engajada (hooks, 2013) em práticas pedagógicas da musicalidade, contação de histórias, expressão corporal, oralidade, da história e cultura africana e afro-brasileira. Com esta intencionalidade antirracista, este artigo expressa a descolonização curricular (Gomes, 2012) em meio ao racismo à brasileira. Também representa a ruptura com a história única (Adichie, 2019), com o sepultamento de conhecimentos e saberes do povo negro (Carneiro, 2005) e, sobretudo, significa o continuum (Nascimento, 2018) da luta por uma educação antirracista interseccionada pela ERER, povoada em aquilombamento teórico-metodológico. Assim, na presente produção iremos refletir sobre uma práxis antirracista, bem como compartilhar as experiências e vivências com o “Espaço ERER” em âmbito das unidades da primeira etapa da educação básica, considerando que o acesso aos conhecimentos referentes à história e cultura africana e afro-brasileira configura-se como um dos direitos das crianças.

Downloads

I dati di download non sono ancora disponibili.

Riferimenti bibliografici

ADICHIE, Chimamanda N. O perigo de uma história única. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

BENTO, Maria Aparecida Silva. O pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

BENTO, Maria Aparecida Silva; CARVALHO, Silvia Pereira de; SILVA JÚNIOR, Hédio. Práticas pedagógicas para a igualdade racial na educação infantil. São Paulo: Ceert, 2012.

BRASIL. Lei nº10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providências. Brasília: MEC, 2003.

BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e Cultura Africana e Afro-brasileira. Brasília: MEC, 2004.

BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília: MEC, 2010.

CARNEIRO, Aparecida Sueli. A construção do Outro como não-ser como fundamento do ser. 2005. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.

CARVALHO, Thaís Regina de. Educação das relações étnico raciais: em foco as vivências em uma turma de crianças de quatro anos de idade. Revista Teias, Rio de Janeiro, v. 21, n. 62, jul./set. 2020. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/revistateias/article/view/49616/34977. Acesso em: 13 set. 2024.

CARVALHO, Thaís. Regina de, CARVALHO, Carol L. de, & CARVALHO, Sônia S. L. de. Geninha: trajetórias de mulheres negras que inspiram para a práxis de um currículo afrocentrado. Série-Estudos - Periódico Do Programa De Pós-Graduação Em Educação Da UCDB, 29(65), 2024, p.241–268. Disponível em: https://www.serie-estudos.ucdb.br/serie-estudos/article/view/1893. Acesso em: 18 nov. 2025.

COLLINS, Patricia Hill; BILGE, Sirma. Interseccionalidade. São Paulo: Boitempo, 2021.

KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.

GOMES, Nilma Lino. Alguns termos e conceitos presentes no debate sobre relações raciais no Brasil: uma breve discussão. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade - Brasília: Ministério da Educação, 2005. (Coleção para todos)

GOMES, Nilma Lino. Relações étnico-raciais, educação e descolonização dos currículos. Currículo sem Fronteiras, [s.l.], v. 12, n. 1, p. 98-109, Jan./Abr. 2012.

GOMES, Nilma Lino. O movimento negro educador. Saberes construídos na luta por emancipação. Petrópolis, RJ: vozes, 2017.

GOMES, Nilma Lino. O movimento negro e a intelectualidade negra descolonizando os currículos. In: COSTA, Joaze Bernardino; TORRES, Nelson Maldonado; GROSFOGUEL, Ramón (Org.). Decolonialidade e pensamento afrodiaspóricos. Belo Horizonte: Autêntica editora, 2020.

GOMES, Nilma Lino. Dimensões provocativas e libertadoras da Lei nº 10.639/2003 e das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. In: GOMES, Nilma Lino; LÁZARO, André. (Orgs.) Africanidades brasileiras: o legado de Petronilha Beatriz: nove artigos sobre o papel da relatora na construção das diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana. São Paulo: Fundação Santillana, 2024.

GONZALEZ, Lélia. Por um Feminismo Afro-Latino-Americano: Ensaios, Intervenções e Diálogos. Rio Janeiro: Zahar, 2020.

HOOKS, bell. Tudo sobre o amor: novas perspectivas. São Paulo: Elefante, 2021.

HOOKS, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo. Martins Fontes, 2017.

HOOKS, bell. Erguer a voz: pensar como feminista, pensar como negra. São Paulo: Elefante, 2019.

MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.

NUNES, Sued. Povoada: Travessia [2021]. Disponível em: https://youtu.be/dIFzUVxAb8c=1. Acesso em: 29 ago. 2022.

SILVA, Petronilha B. G. e. Aprender, ensinar e relações étnico-raciais no Brasil. Educação, [s.l.], v. 30, n. 3, 2008.

TRINDADE, Azoilda Loretto da. Valores e Referências Afro-brasileiras. In: BRANDÃO, Ana Paula (Org.). A Cor da Cultura: caderno de atividades, saberes e fazeres. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 2006. v. 3.

VIEIRA, Cecília Maria. Escrevivências da infância negra: processos subjetivos de existência e re-existência na contemporaneidade. 2024. Tese (Doutorado) – Universidade de Brasília, Brasília, 2024.

WERNECK, Jurema. Nossos passos vêm de longe! Movimentos de mulheres negras e estratégias políticas contra o sexismo e o racismo. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/As (ABPN), [s.l.], v. 1, n. 1, p. 07–17, 2010.

Pubblicato

2025-12-19

Come citare

CARVALHO, Thaís Regina de; BASTOS, Rachel Benta Messias; VIEIRA, Cecília Maria. Geninhas em povoada por uma práxis antirracista na educação infantil. Debates em Educação, [S. l.], v. 17, n. 39, p. e19993, 2025. DOI: 10.28998/2175-6600.2025v17n39pe19993. Disponível em: https://ufal.emnuvens.com.br/debateseducacao/article/view/19993. Acesso em: 2 feb. 2026.

Fascicolo

Sezione

Dossiê Infâncias, Educação Infantil e Epistemologias Contra Coloniais