CurriculânciasOmidùdú: escrevivências, saberes ancestrais e autorias de bebês e crianças na educação infantil
DOI :
https://doi.org/10.28998/2175-6600.2025v17n39pe19992Mots-clés :
Educação infantil, Escrevivências, AncestralidadeRésumé
Esta pesquisa pretende analisar práticas construídas a partir das territorialidades ancestrais para e com bebês e crianças negras, cujas práticas de escrevivências e metodologias outras são tramadas de forma coletiva-colaborativa com professoras da educação infantil. O estudo toma como referência central as escrevivências pedagógicas experienciadas no Centro Municipal de Educação Infantil – CMEI Dr. Djalma Ramos, situado em Vida Nova, bairro periférico em Lauro de Freitas /BA. Essa instituição pública infantil é ocupada por bebês e crianças pequenas e crianças bem pequenas, entre 6 meses e 5 anos que, com seus corpos, gestos e falas intervêm assertivamente nas práticas pedagógicas das quais fazem parte.É plausível inferir que as metodologias outras construídas de forma coletiva-colaborativa são movimentos negros educadores para combater práticas pedagógicas racistas, sexistas e adultocêntricas disseminadas/naturalizadas em instituições públicas de educação infantil. Assim, é fundamental uma prática que leve em consideração as escrevivências dos bebês e das crianças negras na arquitetura e criação de metodologias específicas que, dialogantes com práticas afro-brasileiras, possam reacender memórias, histórias do território, da ancestralidade, materializando uma educação desobediente e inventiva, na qual as crianças negras tenham o direito inegociável de forjar compreensões e interpretações autorais acerca de suas infâncias e identidades negras.
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