Genealogia acadêmica e endogenia nos programas de pós-graduação stricto sensu de turismo no Brasil

Autores

  • André Fontan Köhler Universidade de São Paulo
  • Renato Eliseu Costa Universidade de São Paulo
  • Quezia Regina Biasotti Tangioni Universidade de São Paulo
  • Luciano Antonio Digiampietri Universidade de São Paulo
  • Emilio Fernando Pereira de Azevedo Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.28998/ritur.V15.N3.A2025.pp76-107.19916

Palavras-chave:

Genealogia acadêmica, Endogenia, Pós-graduação em turismo, Formação docente, Comunidade científica

Resumo

O artigo analisa a genealogia acadêmica e os níveis de endogenia dos 12 programas de pós-graduação stricto sensu afiliados à ANPTUR, com foco na formação de seus docentes credenciados e dos orientadores de doutorado deles e nos vínculos de orientação e na colocação profissional dos titulados (mestrado e/ou doutorado). A pesquisa parte da compreensão do turismo como campo científico em consolidação no Brasil, cuja estrutura de formação apresenta, ainda, traços de imobilidade e reprodução restrita de quadros. A metodologia é quantitativa, com análise descritiva baseada em dados coletados manualmente, a partir de currículos Lattes de 203 docentes credenciados (dados de 21 de setembro de 2023), seus orientadores de doutorado e seus orientados (1.084 títulos de mestrado e 154 títulos de doutorado). Foram mapeadas trajetórias formativas, áreas de atuação e instituições de origem, com o cálculo de métricas de endogenia por instituição e unidade da federação. Os resultados revelam forte concentração de orientações em poucos docentes e baixa continuidade acadêmica; menos de 8% dos mestres seguiram para o doutorado, e apenas 11% desses optaram pela formação em turismo (nível: doutorado). A maioria dos egressos atua em instituições públicas de ensino superior (IES), especialmente em institutos federais. A endogenia institucional média foi de 21,18% (doutorado na mesma IES) e territorial de 40,89% (formação total ou parcial na mesma unidade da federação da IES). Conclui-se que, embora o campo tenha expandido-se, prevalecem, ainda, padrões de formação concentrados, com desafios à mobilidade acadêmica e à diversificação de vínculos, o que exige políticas públicas de fortalecimento da área e maior incentivo à circulação de saberes. A principal limitação da pesquisa é ater-se aos docentes credenciados atuais – e, por consequência, seus orientadores de doutorado e orientados –, sem considerar todo o histórico dos programas.

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Biografia do Autor

André Fontan Köhler, Universidade de São Paulo

Doutorado em Arquitetura e Urbanismo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo, Brasil.Professor Associado na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, Brasil

Renato Eliseu Costa, Universidade de São Paulo

Doutor em Políticas Públicas pela Universidade Federal do ABC (UFABC). É professor doutor no Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (ESALQ-USP).

Quezia Regina Biasotti Tangioni, Universidade de São Paulo

Graduanda no Curso de Bacharelado em Lazer e Turismo da Escola de Artesm Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP). Trabalha na Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de São Paulo (SVMA-PMSP).

Luciano Antonio Digiampietri, Universidade de São Paulo

Doutorado em Ciência da Computação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professor associado na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP).

Emilio Fernando Pereira de Azevedo, Universidade de São Paulo

Especialista em Administração Pública e Gestão Governamental pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP). Graduando (segunda graduação) no Curso de Bacharelado em Gestão Pública e Governo da EACH-USP.

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Publicado

16-12-2025

Como Citar

Köhler, A. F., Costa, R. E., Biasotti Tangioni, Q. R., Digiampietri, L. A., & Pereira de Azevedo, E. F. (2025). Genealogia acadêmica e endogenia nos programas de pós-graduação stricto sensu de turismo no Brasil. RITUR - Revista Iberoamericana De Turismo, 15(3), 76–107. https://doi.org/10.28998/ritur.V15.N3.A2025.pp76-107.19916