Entre os olhos de umas e o espelho para os olhos das outras: as Escrevinfâncias como pranto, canto e produção de vida
DOI:
https://doi.org/10.28998/2175-6600.2025v17n39pe20402Palavras-chave:
Escrevinfâncias, Escrevivências, Contra colonização, Educação InfantilResumo
Os efeitos da colonização no Brasil impactam desde os modos de sociabilidade dos sujeitos sociais, impondo um modo de ser e de existir que é orientado pelo pensamento euro-cristão-monoteísta, até a legitimação de uma ciência imbricada pelos mesmos princípios. Neste sentido, os Estudos da Infância e da Educação Infantil carecem de pesquisas que interroguem as perspectivas universais e universalizadoras de currículo, de políticas e de práticas pedagógicas propostas para as crianças, desde bebês, especialmente questionando as impactos da colonização na vida das crianças negras, indígenas, das periferias, dos terreiros, do campo, com deficiência, do samba e dos quilombos. O presente ensaio tem como objetivo apresentar o conceito de “Escrevinfâncias” como dispositivo político que dá visibilidade às produções de vida emergidas das experiências de crianças negras inseridas em contextos de Educação Infantil. O texto parte das vivências de duas professoras-pesquisadoras, mulheres negras, que, a partir dos estudos sobre “Escrevivências”, cunhado pela intelectual, outra mulher negra, Conceição Evaristo, assim como pelos estudos sobre contra colonização, proposto pelo intelectual negro quilombola Antonio Bispo dos Santos, propõem outras narrativas para pensar a educação das crianças na primeira etapa da Educação Básica. Espera-se com esta produção confrontar o projeto etnocida, que impacta nos contextos de Educação Infantil, apostando nas “Escrevinfâncias” como possibilidade de legitimar a eterna capacidade de resistência e invenção das crianças desde bebês, sobretudo, as negras, indígenas, periféricas, das ladeiras, dos terreiros, da quebradas, do campo, dos quilombos e com deficiência.
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