Ancestralidade indígena e modos de resistência na educação das crianças pequenas
DOI:
https://doi.org/10.28998/2175-6600.2025v17n39pe20010Palavras-chave:
Infâncias Indígenas, Descolonização, Epistemologias indígenasResumo
Este artigo analisa a resistência indígena na educação de crianças em contextos urbanos, destacando práticas pedagógicas descoloniais como alternativas para afirmação cultural e política. A autora, uma mulher indígena em Manaus, utiliza suas escrevivências para discutir desafios enfrentados por famílias indígenas na cidade, como a persistência de mecanismos coloniais na escola, e as estratégias de resistência que transformam a educação em um território de luta. A pesquisa aborda a importância da reconexão com raízes ancestrais para construir pedagogias próprias, valorizando epistemologias indígenas e promovendo desobediência epistêmica contra lógicas eurocentradas. Exemplos como os Espaços de Estudos de Língua Materna em Manaus ilustram iniciativas de revitalização cultural e linguística, onde crianças aprendem línguas indígenas como Kokama e Tukano, fortalecendo sua identidade e pertencimento étnico. O texto também reflete sobre a colonialidade persistente e a necessidade de uma educação infantil que reconheça e valorize as culturas indígenas, suas línguas e saberes. A autora defende uma pedagogia decolonial que respeite a pluralidade de infâncias e contribua para a construção de uma sociedade mais inclusiva e intercultural.
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