Brasil no Haiti: o discurso na marcação de um lugar identitário
DOI :
https://doi.org/10.28998/2317-9945.202585.52-66Mots-clés :
Memória discursiva, Identidade, Imaginário político, MINUSTAHRésumé
Nos filiamos à Análise de Discurso francesa para investigar o modo de funcionamento da linguagem em relação à constituição e/ou manutenção da identidade brasileira nos discursos em torno da presença do Brasil na Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH). Delimitamos nosso corpus a partir de recortes de discursos que circularam entre os anos de 2004 e 2017 – período de duração da missão. Examinamos os elementos que determinam o sujeito do discurso, como esse se apoia no imaginário para mobilizar a memória discursiva. Observamos como a regularidade e o efeito de homogeneidade se fazem presentes nesse espaço discursivo, sustentando discursivamente uma projeção imaginária do Brasil como um país pacífico e solidário, assegurada por posições-sujeito interpeladas ideologicamente. Múltiplos efeitos de sentido são determinados pelo lugar discursivo a partir do qual o sujeito enuncia e mobilizados em torno de uma formação discursiva dominante que eleva o efeito desta homogeneidade imaginária, resultando no apagamento/ocultamento de uma heterogeneidade de discursos.
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