Novas ocupações urbanas, punk e negritude: articulações para a reexistência no Extremo Sul do Brasil

Autores

  • Henrique Jeske Universidade Federal de Pelotas

DOI:

https://doi.org/10.28998/rm.2025.n.18.19890

Palavras-chave:

Punk, Negritude, Ocupações urbanas, Decolonialidade, Extremo Sul

Resumo

O artigo investiga as relações entre a cena punk, a negritude e as ocupações urbanas em uma cidade do extremo sul do Brasil, região marcada pelo legado escravocrata das charqueadas. Apesar de sua proposta contestatória, o punk local reproduz exclusões raciais, com baixa participação negra, refletindo um "excesso decolonial" (Woods, 2020): apropriação estética de elementos negros sem inclusão efetiva, naturalizando a branquitude. Como alternativa, ocupações como o Kilombo Urbano Ocupação Canto de Conexão emergem como espaços de "reexistência", ressignificando territórios abandonados por meio de epistemologias afrodiaspóricas. O Kilombo articula cultura punk com lutas antirracistas, promovendo ações coletivas e deslocando simbologias anarquistas para uma perspectiva decolonial. Baseado em entrevistas e observação participante, o estudo conclui que a superação das barreiras raciais exige mais que inclusão simbólica: demanda desconstrução de hierarquias culturais (Quijano, 2022) e reinvenção das práticas cotidianas, transformando contradições em ferramentas para uma transformação social efetiva.

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Referências

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Publicado

2025-12-29

Como Citar

Jeske, H. (2025). Novas ocupações urbanas, punk e negritude: articulações para a reexistência no Extremo Sul do Brasil. Revista Mundaú, (18), 121–138. https://doi.org/10.28998/rm.2025.n.18.19890

Edição

Seção

Punk e Decolonialidade: o punk e a construção de outros mundos