Resistência punk no Extremo Sul do Brasil: um olhar interseccional para as cenas de Porto Alegre e de Caxias do Sul

Autores

  • Aline Passuelo de Oliveira Universidade de Caxias do Sul
  • Alisson Oliveira da Costa Rede Pública Estadual do Rio Grande do Sul
  • Giulia Calloni Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

DOI:

https://doi.org/10.28998/rm.2025.n.18.19794

Palavras-chave:

Punk, Interseccionalidade, Gênero, Branquitude, Rio Grande do Sul

Resumo

O movimento punk, ao longo de sua história no Brasil, desenvolveu-se em diversos contextos territoriais com características próprias. O estudo traça um panorama histórico que abrange duas temáticas centrais. O objetivo central é evidenciar o potencial de resistência inerente ao punk, especialmente em territórios com apelo conservador e imaginários sociais calcados em um passado mítico europeizado e embranquecido, que historicamente marginalizam grupos que não se alinham a esse ideal hegemônico. Os dados apresentados são oriundos de revisão bibliográfica, análise documental e excertos de entrevistas com participantes do movimento. Do ponto de vista analítico, o artigo mobiliza a ferramenta teórico-metodológica da interseccionalidade, articulando categorias como centro e periferia (geográfica e simbólica), racismo, branquitude e patriarcado. Esta abordagem interseccional mostrou-se fundamental para aprofundar a compreensão das múltiplas camadas de opressão e das formas singulares de resistência que moldam a atuação do punk no Brasil.

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Publicado

2025-12-29

Como Citar

Oliveira, A. P. de, Costa, A. O. da, & Calloni, G. (2025). Resistência punk no Extremo Sul do Brasil: um olhar interseccional para as cenas de Porto Alegre e de Caxias do Sul. Revista Mundaú, (18), 63–80. https://doi.org/10.28998/rm.2025.n.18.19794

Edição

Seção

Punk e Decolonialidade: o punk e a construção de outros mundos