Les femmes au "début de la fin du monde": te(n)sions et le silence dans les relations de genre du mouvement punk à São Paulo
DOI :
https://doi.org/10.28998/rm.2025.n.18.19968Mots-clés :
Femmes, Punks, Peformances, SilencesRésumé
Cet article analyse le rôle de jeunes femmes dans le festival « Le Début de la Fin du Monde », organisé en 1982 au Sesc Pompéia (São Paulo) et considéré comme un jalon symbolique de l’effervescence du mouvement punk au Brésil. Le texte s’appuie sur des analyses documentaires, notamment des photographies et des enregistrements audiovisuels, ainsi que sur des sources journalistiques, des fanzines, des disques et d’autres traces historiques de l’événement. Notre objectif est ainsi de mettre en évidence la manière dont les relations de genre ont été mises sous tension par des filles punks qui ont occupé et transformé des espaces marqués par des pratiques sexistes, classistes, racistes et d’autres formes de violence et de sectarisme. À partir d’un dialogue entre chercheuses et chercheurs, et d’un exercice d’articulation entre une approche discursive et historiographique, nous mobilisons des concepts tels que la mémoire discursive (Pêcheux, 1984) et le partage du sensible (Rancière, 2014) pour interpréter les performances, visualités, énoncés et conflits survenus durant le festival. Nous nous concentrons ainsi principalement sur l’action de femmes comme Meire, Dirce (bassiste du groupe Juízo Final), Tina Ramos et le groupe Skizitas, montrant comment leurs présences ont provoqué des ruptures significatives en mettant à l’épreuve les normativités de genre (Butler, 2019 ; hooks, 2019 ; Wolf, 2018) en vigueur à l’intérieur et à l’extérieur de la scène punk. Dans nos conclusions, nous soulignons la mise en lumière des résistances féminines articulées autour de l’éthique du do it yourself (fais-le-toi-même), de l’engagement politico-artistique contre l’État et le patriarcat, ainsi que de la création de réseaux transnationaux de solidarité.
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