Subjetividades dissidentes: gênero e resistência no punk feminista carioca
DOI:
https://doi.org/10.28998/rm.2025.n.18.19886Palavras-chave:
Feminismo decolonial, Escrita de si, Riot Grrrl, Subalternidade, Música punkResumo
O presente artigo analisa, sob a perspectiva do feminismo decolonial, como as bandas brasileiras Texuga e Klitoria utilizam a música punk como prática de escrita de si e resistência. A partir de autoras decoloniais, o texto discute o conceito de subalternidade e os silenciamentos impostos por estruturas coloniais, patriarcais e racistas. As letras dessas bandas são interpretadas como formas legítimas de produção de conhecimento, revelando subjetividades marginalizadas. Inspiradas pelo movimento Riot Grrrl, as artistas reivindicam o lugar de fala, rompendo com os silenciamentos impostos tanto pelo feminismo hegemônico quanto pelos espaços culturais dominados por homens. O artigo evidencia a potência da música como instrumento de subjetivação e enfrentamento, reafirmando o punk como linguagem contra-hegemônica para mulheres subalternizadas.
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