Controle de gênero, violência doméstica e feminicídio em Contos de amor rasgados, de Marina Colasanti
DOI:
https://doi.org/10.28998/2317-9945.202586.437-456Parole chiave:
Literatura brasileira. Contos de amor rasgados. Regulações de gênero. Violência doméstica e FeminicídioAbstract
A presente pesquisa tem como objetivo analisar o livro Contos de Amor Rasgados (1980), de Marina Colasanti a partir de um corpus crítico-teórico feminista com o aporte de autoras como Rita Terezinha Schmidt (2012), Rita Segato (2022), Branca Moreira Alves e Jacqueline Pitanguy (2022), entre outras. O livro de Colasanti traz narrativas cujos temas perpassam o feminicídio e a violência doméstica contra as mulheres e outras formas de opressões e violências. A partir da proposta crítica de que a literatura é um produto cultural, político, ético e estético, debatemos a relação entre literatura e vida com o intuito de problematizar a estrutura patriarcal, seus modos de operação no corpo social e seus efeitos de sentido no texto literário. Acreditamos, portanto, que ler criticamente Contos de amor rasgados, como se propõe, é bastante significativo porque é uma forma de evidenciar, entre outras questões, as regulações e as performances de gênero advindas do sistema do patriarcado como práticas sociais que estruturam, potencializam e perpetuam as violências domésticas perpetradas contra as mulheres e os crimes de feminicídio.
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