Da invenção à ficcionalização: construções imagético-discursivas sobre o sertão
DOI :
https://doi.org/10.28998/2317-9945.202586.377-397Mots-clés :
Sertão, Nordeste, Literatura, Testemunho, ficçãoRésumé
Entendendo o sertão como um espaço geográfico, político, simbólico e literário, ou seja, múltiplo, que atravessa a literatura de forma contínua, propomos discutir, neste artigo, a construção de imagens e discursos que se cristalizaram ao longo da história acerca do sertão nordestino, compreendendo a contribuição da narrativa literária para a invenção desta categoria no imaginário nacional. Procuraremos identificar essas fronteiras limitantes, que se ergueram em torno do cenário sertanejo, apoiando-se, sobretudo, na crítica que faz o historiador Albuquerque Júnior em seu discurso de fronteiras, cujo trabalho arqueológico e genealógico é guiado por pressupostos foucaultianos. Apostamos que a multiplicidade, assim como a impossibilidade de definição, que se apresenta em torno do sertão, aponta para um espaço vazio, passível de produção de novas imagens, tal como encontramos na escrita de Ronaldo Correia de Brito. Sua ficção permite uma leitura de teor testemunhal, radicalizando e expondo o impossível de representar do real, ao mesmo tempo que dá forma a ele, via estética.
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