Lavoura Arcaica: uma abordagem da distopia e caos em Raduan Nassar
DOI:
https://doi.org/10.28998/2317-9945.202586.420-436Abstract
Este artigo tem como finalidade examinar criticamente a noção de distopia e o sentimento de desordem (caos) presentes na obra Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar. A análise concentra-se nos elementos que revelam a transgressão das normas sociais estabelecidas e nos desdobramentos dessas rupturas nos diferentes contextos narrativos. Nesse sentido, o romance assume um caráter distópico ao sinalizar a necessidade de conter eventos ameaçadores e de mitigar suas consequências. Propomos investigar as zonas de sombra projetadas pelas promessas utópicas que orientam o protagonista André no presente, ao mesmo tempo em que obscurecem suas possibilidades futuras. As distopias e o caos, nesse cenário, expressam a sensação de fragilidade e entorpecimento do sujeito contemporâneo diante de um destino incerto e potencialmente descartável. Para sustentar a reflexão teórica, são mobilizados autores como Michael Löwy (2000; 2005) e Estrella López Keller (1991), no tocante à abordagem da distopia no discurso literário e social. No que tange à noção de caos e à constituição da identidade narrativa e das personagens, dialogamos com os aportes de Gilles Deleuze e Félix Guattari (1992), bem como de Anthony Giddens (2002), entre outros.
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