Adubação silicatada contribui na conservação pós-colheita da alface
DOI:
https://doi.org/10.28998/rca.23.17865Palavras-chave:
Fisiologia pós-colheita, perecibilidade, silícioResumo
A importância da adubação silicatada na conservação pós-colheita vem sendo confirmada em algumas hortaliças, como rabanete, rúcula e tomate. Porém, ainda há carência de maiores informações sobre o efeito desse elemento na conservação pós-colheita em alface. Assim, objetiva-se com este trabalho investigar o uso de diferentes doses de silicato de potássio na conservação pós-colheita da alface crespa, cultivada em ambiente protegido. Para isso, mudas de alface, Lactuca sativa L., variedade crespa, cultivar “Vanda”, foram cultivadas no período de 20 de março a 05 de maio de 2024, em vasos plásticos contendo 5 dm3 de substrato no interior da casa de vegetação do Instituto Federal Catarinense, Campus Videira. As plantas cresceram com o substrato mantido próximo à capacidade de campo até o final do experimento, com duração de 45 dias. O controle da irrigação foi realizado pelo método gravimétrico (pesagem diária dos vasos), adicionando-se água até que a massa do vaso atingisse o valor prévio determinado, considerando-se a massa do solo e de água. A aplicação das doses de silicato de potássio foi realizada através de um pulverizador manual com capacidade de 500 mL e um bico tipo leque para aplicação. Plantas controles nas quais não foram aplicadas o Si, foram pulverizadas com água destilada. Utilizou-se o fertilizante foliar mineral simples, silicato de potássio (Flex Silício®), nas doses: 0 (Controle), 3,0 e 6,0 ml/L de silicato de potássio, aplicados a cada 10 dias após o transplante das mudas para os vasos. O experimento foi montado em um delineamento inteiramente casualizado, em parcelas subdivididas no tempo [0, 3, 6 e 9 dias após a colheita – período de armazenamento], composto por três doses de adubação silicatada [0, 3 e 6 ml/L de silicato de potássio], com quatro repetições. Cada unidade experimental foi composta de uma planta embalada em sacos de polietileno de baixa densidade. As plantas foram condicionadas em uma unidade de refrigeração vertical, mantendo-se a temperatura média de 5ºC, por 09 dias. Foram avaliadas as seguintes variáveis: índices de clorofila a, b e total; a matéria fresca da planta, a acidez titulável, pH e a qualidade visual pós-colheita. Os dados foram submetidos à análise de variância e os tratamentos comparados pelo teste de Tukey (5% de probabilidade), utilizando o programa software R®, versão 4.3.2. De acordo com os resultados obtidos foi observado que a adubação silicatada contribuiu para a preservação contra os danos oxidativos, na manutenção dos teores de clorofila e da massa fresca das plantas, proporcionando retardo à senescência e, consequentemente, uma melhor conservação pós-colheita da alface, principalmente na dose de 6,0 ml/L de silicato de potássio. No entanto, a aplicação de silicato de potássio não afetou a acidez titulável e o pH da alface ao longo do período de armazenamento.
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