Sempre bestializados?
O golpe de 1964 e a história das elites. Uma crítica historiográfica
DOI:
https://doi.org/10.28998/rchv16n32.2025.0003Resumo
Após 60 anos, o golpe de Estado de 1964 continua sendo objeto de muitas investigações e ampla discussão historiográfica. Este artigo apresenta uma crítica a interpretação de Argelina Figueiredo e Jorge Ferreira sobre o golpe de Estado de 1964. Se valendo da vasta literatura especializada já disponível, o artigo pretende demonstrar que ao assumir a perspectiva da história das elites, com todas as implicações teóricas e políticas inerentes a ela, a análise dos autores negam o protagonismo das classes sociais, especialmente dos trabalhadores, que aparecem alienados do processo histórico devido a radicalidade do conflito travado em seu nome pelas elites políticas.
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