Sempre bestializados?

O golpe de 1964 e a história das elites. Uma crítica historiográfica

Authors

  • Lineker Noberto Universidade do Estado da Bahia

DOI:

https://doi.org/10.28998/rchv16n32.2025.0003

Abstract

Após 60 anos, o golpe de Estado de 1964 continua sendo objeto de muitas investigações e ampla discussão historiográfica. Este artigo apresenta uma crítica a interpretação de Argelina Figueiredo e Jorge Ferreira sobre o golpe de Estado de 1964. Se valendo da vasta literatura especializada já disponível, o artigo pretende demonstrar que ao assumir a perspectiva da história das elites, com todas as implicações teóricas e políticas inerentes a ela, a análise dos autores negam o protagonismo das classes sociais, especialmente dos trabalhadores, que aparecem alienados do processo histórico devido a radicalidade do conflito travado em seu nome pelas elites políticas.

 

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Author Biography

Lineker Noberto, Universidade do Estado da Bahia

Doutor em História na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Pesquisador do Laboratório de História e Memória da Esquerda e das Lutas Sociais da Universidade Estadual de Feira de
Santana (LABELU/UEFS).

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Published

2025-12-29

How to Cite

Noberto, L. (2025). Sempre bestializados? : O golpe de 1964 e a história das elites. Uma crítica historiográfica. Revista Crítica Histórica, 16(32), 26–55. https://doi.org/10.28998/rchv16n32.2025.0003