No enfrentamento da violência contra as mulheres informação é condição sine qua non

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.28998/cirev.2026v13e17477

Palabras clave:

feminicídio, informações estatísticas, violência contra as mulheres, dominação masculina, políticas públicas

Resumen

Analisa como a violência contra as mulheres é perpetuada e naturalizada no decorrer dos anos e como as informações estatísticas evidenciam esse problema social. Pesquisa bibliográfica, a análise e interpretação foram fundamentadas na teoria da dominação masculina e nos trabalhos seminais desenvolvidos por teóricas feministas sobre a temática. O estudo explicita que a dominação masculina, assentada nas desigualdades de gênero que discriminam as mulheres, estrutura a violência física e simbólica e contribui para a ocorrência do feminicídio. As informações estatísticas, embora ainda apresentem muitos problemas de classificação, conceito e registro, mostram a necessidade de atuação do Estado no fortalecimento de políticas públicas para que as mulheres tenham garantidas as condições básicas para se libertarem da violência endêmica que continua a atingi-las. A consolidação de informações confiáveis sobre tipos de violência, perfis das vítimas e regiões mais afetadas, pode contribuir com o Estado na busca de estratégias de direcionamento de recursos e ações preventivas, identificação de padrões de risco e em medidas de eficácia das soluções implementadas.

Descargas

Los datos de descargas todavía no están disponibles.

Biografía del autor/a

Nadi Helena Presser, Universidade Federal de Pernambuco

Graduação em Ciências Econômicas (1990), Mestrado (1999) e Doutorado (2005) em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina. Pós doutorado (2016) em Ciência da Informação pela Universidade Carlos III de Madri - Espanha. Professora Associada da Universidade Federal de Pernambuco, com atuação na graduação e no programa de pós-graduação stricto sensu na área da Ciência da Informação e no Mestrado Profissional em Desenvolvimento e Gestão Pública. Editora Científica da Revista Navus - Gestão e Tecnologia. Líder do grupo de pesquisa Prospecção e Práxis em Gestão da Informação. 

Mayara Paula Atanásio Soares da Silva, Universidade Federal de Pernambuco

Doutoranda e mestra em Ciência da Informação, e Graduada em Biblioteconomia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Bibliotecária na Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco. 

Gisele Rocha Côrtes, Universidade Federal da Paraíba

Doutora e Mestra em Sociologia, e Graduada em Pedagogia e Ciências Sociais  pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Professora Associada do Departamento de Ciência da Informação e Professora Permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba (DCI-PPGCI/UFPB).

Leilah Santiago Bufrem, Universidade Federal de Pernambuco

Pós-doutora pela Universidad Autónoma de Madrid (UAM). Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), Mestra em Educação e Graduada em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Graduada em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Professora Titular aposentada do Curso de Gestão da Informação da UFPR. Professora Permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Pernambuco (PPGCI/UFPE).

Citas

ARENDT, Hannah. Sobre a violência. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 2011.

ARROYO, Marta. Violencia. Juicio ante la Corte Interamericana. El Estado mexicano, en el banquillo por las matanzas de Ciudad Juárez. El Mundo, Madrid, 15/04/2009. Disponível em: https://www.elmundo.es/elmundo/2009/04/15/internacional/1239784365.html

Acesso em: 5 fev. 2024.

BOURDIEU, Pierre. Questões de Sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1986.

BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 2012.

BOURDIEU, Pierre. Os usos sociais da ciência: por uma sociologia do campo científico. Tradução Denice Bárbara Catani. São Paulo: Editora UESP, 2004.

BRASIL. Lei nº 13.104, de 9 de março de 2015. Altera o art. 121 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, para prever o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio, e o art. 1º da Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, para incluir o feminicídio no rol dos crimes hediondos. Brasília, 9 de março de 2015. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015 /lei/ l13104.htm. Acesso em: 15 fev. 2024.

BRASIL. Lei nº 13.931, de 10 de dezembro de 2019. Altera a Lei nº 10.778, de 24 de novembro de 2003, para dispor sobre a notificação compulsória dos casos de suspeita de violência contra a mulher. Brasília, 10 de dezembro de 2019. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/lei/l13931.htm. Acesso em: 15 fev. 2024.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. 16. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

CAPUTI, Jane; RUSSEL, Diana. Femicide: sexist terrorism against women. In: RADFORD, Jill; RUSSEL, Diana (Org.). Femicide: the politics of woman killing. New York: Twayne Publishers, 1992, p. 13-21.

CARNEIRO, Sueli. Mulheres em movimento. Estudos Avançados, São Paulo, v. 17, n. 49, p. 117-133, 2003. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/eav/article/view/9948. Acesso em: 2 fev. 2024.

CARVALHO, Marília Albernaz Pinheiro; CÔRTES, Gisele Rocha; SILVA, Aurekelly Rodrigues. A mediação da informação e o protagonismo social das mulheres em situação de violência doméstica. Revista Conhecimento em Ação, [s.l.], v. 6, n. 2, p. 91-120, 2021. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/rca/article/view/45018/26645 . Acesso em: 29 jan. 2024.

CENTRO FEMINISTA DE INFORMACIÓN Y ACCIÓN (CEFEMINA). No olvidamos ni aceptamos: Femicidio en Centroamérica 2000 – 2006. San José: CEFEMINA, 2010. Disponível em: http://mujeresdeguatemala.org/wp-content/uploads/2014/06/Feminicidio-en-Centro-Ame%CC%81rica.pdf . Acesso em: 24 já. 2023.

CERQUEIRA, Daniel; MOURA, Rodrigo; PASINATO, Wânia. Participação no mercado de trabalho e violência doméstica contra as mulheres no Brasil. Texto para discussão. Rio de Janeiro: Ipea, 2019. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/arquivos/artigos/9705-td2501.pdf . Acesso em: 15 fev. 2024.

CERQUEIRA, Daniel; BUENO, Samira. Atlas da violência 2023. Brasília: Ipea; FBSP, 2023. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/arquivos/artigos/9350-223443riatlasdaviolencia2023-final.pdf . Acesso em: 13 jan. 2024.

CORTES, Gisele Rocha; ALVES, Carvalho Edvaldo; SILVA, Leyde Klebia Rodrigues. Mediação de informação e violência contra mulheres. Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação, [s.l.], v.8, n. 2, p. 59-79, 2015. Acesso em: 19 fev. 2024. Disponível em: https://revistas.ancib.org/index.php/tpbci/article/view/351/351. Acesso em: 19 fev. 2024.

DAWSON, Myrna; CARRIGAN, Michelle. Identifying femicide locally and globally: Understanding the utility and accessibility of sex/gender-related motives and indicators. Current Sociology, [s.l.], v. 69, n. 5, p. 682–704, 2020. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/0011392120946359. Acesso em: 12 fev. 2024.

DAVIS, Natalie Zemom. Women’s history in transition: the European case. Feminist Studies, [s.l.], v. 3, n. 3/4, p. 83-103, 1976. Disponível em: https://tajakramberger.files.wordpress.com/2013/11/zemon-davis-womens-history-in-transition.pdf. Acesso em: 15 fev. 2024.

FLAX, Jane. Postmodernism and gender relations in Feminist Theory. Signs: Journal of women in culture and society, Chicago, v. 12, n. 4, p. 621-643, 1987. Disponível em: https://www.journals.uchicago.edu/doi/abs/10.1086/494359 . Acesso em: 15 fev. 2024.

FLYVERBOM, Mikkel; MURRAY, John. Datastructuring: Organizing and curating digital traces into action. Big Data & Society, [s.l.], v. 5, n. 2, 2018. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/2053951718799114. Acesso em: 2 fev. 2024.

FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA (FBSP). Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2022. Ano 16, São Paulo: FBSP, 2022. Disponível em: https://publicacoes.forumseguranca.org.br/handle/fbsp/58. Acesso em: 12 fev. 2024.

FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA (FBSP). Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil. 5. ed. São Paulo: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 2025. Disponível em: https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2025/03/relatorio-visivel-e-invisivel-5ed-2025.pdf?v=13-03 . Acesso em: 3 jun. 2025.

LAGARDE, Marcela. Antropología, feminismo y política: violencia feminicida y derechos humanos de las mujeres. In: BULLEN, Margaret; MINTEGUI, Carmen Diez (Org.). Retos teóricos y nuevas prácticas. San Sebastián: Ankulegi, 2008, p. 209-240. Disponível em: http://mujeresdeguatemala.org/wp-content/uploads/2014/06/Violencia-feminicida-y-derechos-humanos-de-las-mujeres.pdf. Acesso em: 12 fev. 2024.

LIMA, Telma Cristiane Sasso de; MIOTO, Regina Célia Tamaso. Procedimentos metodológicos na construção do conhecimento científico: a pesquisa bibliográfica. Revista Katál, Florianópolis, v. 10 n. especial, p. 37-45, 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rk/a/HSF5Ns7dkTNjQVpRyvhc8RR/?format=pdf&lang=pt . Acesso em: 7 fev. 2024.

MOURA, Ricardo. Feminicídio: um crime de Estado. Escrivaninha. Blog de análises e notícias sobre violência, poder e segurança pública. [on-line] 2022. Disponível em: https://escrivaninha.blog/2022/04/11/feminicidio-um-crime-de-estado/. Acesso em: 27 maio 2023.

MOURA, Ricardo. O que pensam os homens que agridem mulheres? Escrivaninha. Blog de análises e notícias sobre violência, poder e segurança pública. [on-line] 2023. Disponível em: https://escrivaninha.blog/2023/03/13/o-que-pensam-os-homens-que-agridem-mulheres/. Acesso em: 27 maio 2023.

ODALIA, Nilo. O que é violência. São Paulo: Editora Brasiliense, 2017.

OLIVEIRA, Zuleica L. Cavalcanti. Política de informação na área de gênero. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENSINO E PESQUISA EM INFORMAÇÃO – CINFORM, 5., 2004, Salvador. Anais eletrônicos [...]. Salvador: UFBA, 2004. Disponível em: http://www.cinform-anteriores.ufba.br/v_anais/artigos/zuleicacavalcante.html . Acesso em: 30 mar. 2024.

PEDRO, Joana Maria. Traduzindo o debate: o uso da categoria gênero na pesquisa histórica. História, São Paulo, v. 24, n. 1, p. 77-98, 2005. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/s0101-90742005000100004 . Acesso em: 7 fev. 2024.

RAMOS, Silvia et al. Pele alvo: a cor que a polícia apaga. Rio de Janeiro: Rede de Observatórios da Segurança, CESeC, 2022. Disponível em: https://cesecseguranca.com.br/livro/pele-alvo-a-cor-que-a-policia-apaga/ . Acesso em: 01 jun. 2025.

RIBEIRO, Ana Rosa Pais; SENRA, Nelson de Castro. Estruturação do campo da produção da informação estatística oficial à luz da teoria bourdieusiana. In: MARTELETO, Regina Maria; PIMENTA, Ricardo Medeiros. (org.) Pierre Bourdieu e a produção social da cultura, do conhecimento e da informação. Rio de Janeiro: Garamond, 2017. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4952291/mod_resource/content/1/pierre_bourdieu_ebook.pdf. Acesso em: 2 fev. 2024.

ROMEIRO, Nathália Lima; BEZERRA, Arthur Coelho. A naturalização da violência contra a mulher e a trajetória da criminalização da violência sexual no Brasil. Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação, [s.l.], v. 13, n. 1, 2020. Disponível em: https://revistas.ancib.org/index.php/tpbci/article/view/517. Acesso em: 9 fev. 2024.

RUSSELL, Diana; RADFORD, Jill (Org.). Femicide: the politics of woman killing. New York: Twayne Publishers, 1992.

SAFFIOTI, Heleieth Iara Bongiovani. Rearticulando gênero e classe social. In: COSTA, Albertina de Oliveira; BRUSCHINI, Cristina. (org.) Uma questão de gênero. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1992. p. 183-215.

SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, Rio Grande do Sul, v. 2, n. 20, p. 71-99, jul. 1995. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade/article/view/71721/40667

Acesso em: 15 fev. 2024.

SUÁREZ VAL, Helena. Marcos de datos de feminicidio. Reconstrucción ontológica y análisis crítico de dos datasets de asesinatos de mujeres por razones de género. Informatio, Udelar, v. 26, n. 1, p. 313-346, 2021. Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=7940210. Acesso em: 1 set. 2023.

TAULÉS, Silvia. Por la muerte de ocho mujeres en Campo Algodonero: El gobierno mexicano, condenado por 'feminicidio' en Ciudad Juárez. El Mundo, Madrid, 19/11/2009. Disponível em: https://www.elmundo.es/america/2009/11/19/mexico/1258636389.html. Acesso em: 5 fev. 2024.

VIVES-CASES, Carmen et al. Expert opinions on improving femicide data collection across Europe: a concept mapping study. Plos One, California, v. 11, n. 2, p. 1-14, 2016. DOI: http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0148364 . Acesso em: 4 fev. 2024.

WEIL, Shalva; CORRADI, Consuelo; NAUDI, Marceline. Femicide across Europe: theory, research and prevention. United Kingdom: Policy Press, 2018.

WOOLF, Virgínia. La Promenade au phare. Paris: Stock, 1929.

Publicado

2026-01-25

Cómo citar

Presser, N. H., Silva, M. P. A. S. da, Côrtes, G. R., & Bufrem, L. S. (2026). No enfrentamento da violência contra as mulheres informação é condição sine qua non. Ciência Da Informação Em Revista, 13, e17477. https://doi.org/10.28998/cirev.2026v13e17477

Número

Sección

Relatos de Pesquisa | Research Reports