Contra colonialidade punk? Poética da revolta e subjetividades insurgentes na cena brasileira
DOI:
https://doi.org/10.28998/rm.2025.n.18.19899Palavras-chave:
Punk, Contra-colonialidade, Interseccionalidade, Subjetividade insurgente, AutoetnografiaResumo
Este artigo desenvolve uma reflexão teórico-metodológica encarnada, baseada na autoetnografia dissidente e contra-colonial, para analisar as contradições internas da cena punk no Brasil e sua imbricação com a matriz colonial de poder. A partir de vivências situadas no Distrito Federal, a pesquisa adota o corpo-corpus da autora — periférico, fluido, neurodivergente e dissidente — como ferramenta analítica e campo empírico. O objetivo é desnaturalizar pactos brancos, cisheteronormativos, capacitistas e patriarcais que persistem em espaços de resistência, revelando os limites de um punk que se afirma libertário, mas reproduz normatividades estruturais. Mobilizando crítica decolonial e epistemologias negras e feministas, o texto aprofunda os conceitos de contra-colonialidade e interseccionalidade. A análise de zines e do relato encarnado convoca uma poética da revolta que rompe com a mitologia da marginalidade branca e reivindica uma estética radical comprometida com lutas antirracistas, antipatriarcais e anti-LGBTfóbicas.
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