Quem vai ficar com as crianças? Orfandades e maternidades estabelecidas a partir da Covid-19

Who will take care of the children? Orphanhoods and motherhoods established through Covid-19

Autores

  • Flávia Ferreira Pires
  • Laura Marques Lopes
  • Mohana Cavalcante UFPB
  • Pedro Henrique Gomes da Paz UFPB

DOI:

https://doi.org/10.28998/rm.2025.n.17.17210

Palavras-chave:

Orfandade, Maternidades, Covid-19, Moralidades, Afetos

Resumo

Este artigo analisa orfandades e maternidades estabelecidas a partir da Covid-19. Para isso, apresenta três casos etnográficos, resultado de trabalho de campo realizado por uma equipe de quatro pesquisadores em 2023. Em meio a moralidades e afetos reforçados socialmente, cada uma delas assumiu o trabalho do cuidado de órfãos da Covid-19 em suas respectivas famílias. São, no total, dez crianças e adolescentes, com idade entre 2 e 17 anos. Concluímos que elas eram potenciais cuidadoras antes mesmo dos óbitos ocorrerem, e que a tutela obedeceu à identidade de gênero, ao grau de parentesco, ao laço sanguíneo, aos afetos, à idade, à proximidade geográfica e à condição financeira, acarretando impactos negativos em seus estilos e projetos de vida, e na saúde mental, nesse tempo que deu novo sentido às suas vidas, devastadas pelo luto.

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Biografia do Autor

Flávia Ferreira Pires

Professora na Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde trabalha desde 2008. Pesquisadora Produtividade do CNPq. Pesquisa e orienta estudos focados nas políticas culturais da infância, em políticas públicas, no cotidiano infantil, na vida social e na vida política de crianças e adolescentes – em sua maioria, às margens do Estado e de direitos. Líder do grupo de pesquisa CRIAS – Criança: Cultura e Sociedade, na UFPB. Mãe de duas meninas.

Laura Marques Lopes

Mestranda em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA) da UFPB. Bacharela em Ciências Sociais pela UFPB. Pesquisadora integrante do grupo de pesquisa CRIAS: Criança, Cultura e Sociedade (UFPB/CNPq). Desenvolve estudos e pesquisas sobre o problema social da orfandade pela Covid-19, a partir de uma perspectiva antropológica, articulando abordagens teóricas, metodológicas e conceituais das Antropologias das Crianças, Infâncias e Políticas Públicas.

Mohana Cavalcante, UFPB

Socióloga, pesquisadora DTI-A do CNPq e doutora em Sociologia pela UFPB. Pesquisadora sobre/por estudos das infâncias, maternagens e avoternagens, geração e política de crianças e adolescentes. Editora do periódico CAOS – Revista Eletrônica de Ciências Sociais (Qualis B1) do DCS da UFPB e editora do periódico Áltera – Revista de Antropologia (Qualis A4) do PPGA da UFPB. Membra do grupo de pesquisa CRIAS: Criança, Cultura e Sociedade (UFPB/CNPq).

Pedro Henrique Gomes da Paz, UFPB

Jornalista Técnico-Administrativo em Educação (TAE) na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Doutorando em Antropologia no Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA) da UFPB. Mestre em Jornalismo pelo Programa de Pós-graduação em Jornalismo (PPJ) da UFPB. Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Bolsista de Apoio Técnico em Extensão no País do CNPq – Nível A. Editor do periódico Áltera – Revista de Antropologia (Qualis A4) do PPGA da UFPB. Pesquisador do grupo de pesquisa CRIAS – Criança, Cultura e Sociedade (UFPB/CNPq).

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Publicado

2025-12-26

Como Citar

Ferreira Pires, F., Marques Lopes, L., Cavalcante, M., & Henrique Gomes da Paz, P. (2025). Quem vai ficar com as crianças? Orfandades e maternidades estabelecidas a partir da Covid-19: Who will take care of the children? Orphanhoods and motherhoods established through Covid-19. Revista Mundaú, 2(17), 20–40. https://doi.org/10.28998/rm.2025.n.17.17210

Edição

Seção

Maternidades, práticas de cuidado e Tecnologias de governo